
Há algo em Second Life que me fascina ainda mais que as próprias características do “jogo”, a forma como este é interpretado, divulgado e analisado pelos meios de comunicação sérios: uma espécie de materialização de conceitos propriedade da Ficção Científica, uma vida online em tudo semelhante à vida que levamos “cá fora”.
Óbvio que existe todo o interesse em dissecar este supostamente gigantesco mundo persistente, os possíveis milhões de utilizadores, o modelo económico presente no jogo (se é que lhe podemos chamar jogo) e as interacções online entre indivíduos.
O que é certo é que a pouco e pouco Second Life conquistou um cada vez maior de número de utlizadores graças uma interpretação sociológica politicamente correcta por parte dos meios de comunicação não especializados.
Aguçada a minha curiosidade através de alguns artigos decidi dar-me ao trabalho de testar este admirável mundo novo: algumas horas depois e uma clara sensação de que tinha transferido a minha existência para um mundo com piores texturas, mais pornografia e ainda menos acção que na minha vida pessoal, os paralelismos começaram a estabelecer-se.
Second Life não é um mundo virtual, é sim um “não-lugar”, tal como o conceito desenvolvido pelo sociologo francês Michel Maffesoli: um espaço onde a cultura globalizada se sobrepõe a tudo o resto. Second Life é um centro comercial tornado jogo, onde o individuo se limita a coexistir e consumir. Não surpreende então a aceitação dos media por uma experiência de jogo que em nada glorifica as qualidades dos MMORPG, mas que lhes permite uma floreada interpretação da forma como a vida real se reflecte num espelho de fraca qualidade.
Artigo publicado na edição nº03 (Novembro 2007) da revista Hype!

Boas festas e não se esqueçam de lavar os dentes.
O burburinho em torno dos jogos casuais e a sua aceitação a nível global anda de mão dada com o lançamento da Wii, uma consola que já vendeu milhões mas que até agora pouco mais provou ser que um jogo (Wii Sports) com sistema de controlo inovador e uma consola de “oferta”, isto pelo menos até ao lançamento dos pesos pesados como as franchises Zelda e Metroid.
A diversão que um jogo tão simples (quase uma techdemo) como Wii Sports pode proporcionar apanhou toda a gente de surpresa, fazendo com que diferentes públicos fossem atraídos para o que agora é um dos novos pontos de interesse e lucro da indústria dos videojogos: os jogos casuais.
A simplicidade é de facto bem-vinda, assim como são bem-vindos todos aqueles que até agora nunca se tinham interessado por videojogos ou sequer aproximado de uma consola. Mas resta saber se será este o novo mínimo denominador comum para uma renovada geração de videojogos onde a simplicidade é colocada acima de todos os outros factores ou o ponto de partida para que novos públicos se possam integrar e tomar conhecimento de tudo o que existe para além do imediatismo do primeiro contacto com os jogos casuais.
Mas não vale a pena temer o futuro. Até porque a recompensa por observarmos de perto o crescimento de uma nova forma de expressão artística será substancialmente superior ao preço a pagar por todos os erros que se irão cometer durante a massificação cultural dos videojogos.
Artigo publicado na edição nº02 (Outubro 2007) da revista Hype!
Correndo o risco de iniciar um novo género de blog baseado em posts sobre o facto de não haverem posts, peço mais uma vez desculpa pela fraca (inexistente) actualização do Plano9.
No próximo mês irá ser lançada a revista HYPE! (pertença do projecto My Games) e este vosso escriba irá ter um artigo de opinião na mesma. Obrigado ao Nelson Calvinho pelo convite e espero que este projecto seja tão sério e tenha tanto sucesso como a Mega Score (tirando a parte do fim abrupto sem explicações).
Também lá para Setembro (com a renovação do hosting com a WebHS, a pagantes, claro) devo renovar o "motor" do blog para uma nova versão do Wordpress, aproveitando também essa mudança para renovar o visual da coisa e procurar algumas colaborações (pouco provável).
Como não podia terminar esta actualização sem falar de filmes:
- O trailer do Alien Vs. Predator: Requiem está interessante, apesar do aspecto amador e claustrofóbico dos cenários. Fora isso parece ser uma história baseada nas bestas predadoras e não no aspecto humano da coisa.
- Na semana passada (mais coisa menos coisa) apareceram online algumas imagens do novo Batman, nesta nova sequela chamado apenas "The Dark Knight". São apenas fotografias sem qualquer tipo de pós-produção mas apontam para um Batman cada vez mais "dark" (ok, piada desnecessária). Aqui podem ver um novo conjunto de fotos.
- Para terminar e para o caso de vos ter escapado, o novo filme com Will Smith baseado no livro de Richard Matheson "I Am Legend" está com muito bom aspecto. A realização está a cargo de Francis Lawrence, o mesmo de Constantine. Resumindo (bastante) é uma história sobre o último homem na terra depois de toda a humanidade ter sido condenada ao vampirismo por um estranho vírus. É a terceira adaptação desta história para Cinema, sendo que a primeira se chamava "The Last Man on Earth" e era protagonizada por Vincent Price (pode sacar o filme legalmente aqui). A segunda adaptação tinha o nome de The Omega Man e o personagem principal era Charlton Heston. As únicas conclusões que podemos tirar até agora desta revisitação baseiam-se no trailer, que pode ser visto aqui.
Até amanhã. Não se esqueçam de lavar os dentes e fazer os deveres.
Lembram-se quando há 300 anos atrás vos falei disto?
Já se conhece o restante cast (Mos Def, Mia Farrow, Danny Glover) para além de Jack Black e saiu finalmente um trailer. A coisa parece prometer (só para não dizer que está genial).
Boas Férias.